O que vem do BLOGGER, somado ao que foi escrito aqui no FESTIM


fevereiro 24, 2005

Estado interessante...

ilustração de Kimberly Dow (www. kimberlydow.com)

art by Kimberly Dow


É bem quando a gente não espera nada
já não desespera
esquece de como é fazer planos
e reaprende a perder horas olhando para o céu...
Inventa de fazer cursos,
de ajudar os outros,
de passar veja multi-uso nos desenganos,
doar presentes inúteis,
e sentir um frescor de não dever nada,
nem querer qualquer coisa
além do que se tem...

... que ele aparece...

não. não tenhas medo
deixa que venha
não ligues defesas, muito menos ansiedades
não te importes...
mas também não chames.
Não sonhes com ele antes da hora
se te dirigir a palavra,
vejas se tem sombra
se é real...
enquanto fala, antes de entender-lhe
(as palavras e sentidos)
ouça-lhe a voz, os compassos...
sintas se a sinceridade supera a encenação
demore-te um pouco até mergulhar em seu olhos;
tenhas calma...
e lembra-te: finalmente, estás bem!
esse equilíbrio é o teu mel e teu maior tesouro
se for um pirata, atrás dele...
joga-o ao mar - sem dó!
Não atentes para as suas virilidades
nao te deixes encantar pelo que não dura
pelo que não sabes
pelo que ele esconde, que te intriga
porque esta é a hora
em que muitos virão e sabes disso...
Não é que convides
mas é que tua leveza, chama...
Os truques não são poucos.
Nem por isso é preciso trancar-te
mas não te exibas a quem chega
sem saberes de onde vem e com que propósito
Espia por entre a fresta,
observa esse estranho que vem sedento
disposto a te conquistar...
Ele diz que se chama amor
Mas só tu hás de saber
que nome é esse, que a ele irás dar...

Postado por CoRa em 12:51 PM | Comentários (21)

fevereiro 11, 2005

Das loucuras de cada um...

Quem conta um conto...

Encontrei aquele meu velho amigo rindo sozinho depois de receber e ler um email... Quis participar da piada e perguntei o que tinha de tão engraçado.
Ele disse: mais uma da minha ex-mulher! Acho que por saber que estou só, ela fica numa consumição só por eu não procurá-la mais e cria sempre mais uma estória e outra, só pra se convencer (e aos outros) de que vou amá-la eternamente como a mulher da minha vida... rs...
-Mas o que foi que ela aprontou dessa vez? perguntei - Escreveu algum absurdo? Neste momento vocês estão "de bem" ou "de mal"? hehehe...
"Sei lá... Você sabe como ela é: um dia sou a pessoa mais confiável, útil, prestativo; o que a ensinou um monte sobre si mesma e sobre o mundo e sobre fidelidade e como os relacionamentos devem ser... No outro dia, sou um sujeito bruto e agressivo, capaz de dizer e fazer coisas que até Deus duvida..." -explicou sorrindo.
Fiquei aliviada de vê-lo calmo falando sobre isso. Tempos atrás estaria inconformado, como acontecia a cada nova novela criada por ela. Eu queria mesmo era saber o porquê da risada escancarada, se ela sempre fôra assim e ele só começou a se dar conta de uns anos pra cá. Ele contou:
"Sabe a Pati? Aquela amiga nossa dos velhos tempos? Pois bem, foi ela que me mandou o email dizendo que a ex andou se abrindo com ela e dizendo que era mesmo impossível tentar ter uma amizade comigo porque eu nunca deixei de gostar dela e ainda tenho um ciúme descomunal dela, uma coisa sem tamanho! Você acha que pode? Só rindo mesmo..."
Conhecendo bem a figurinha (a ex-mulher dele), mestre em distorcer os fatos pra se fazer de vítima, ou perseguida, ou idolatrada salve-salve, não vi novidade nenhuma nisso, mas fiquei curiosa... Quis saber mais da história porque isso sempre me enriquece na criação de personagens conflitantes para o meu novo livro. Ele disse de onde ela conseguiu tirar isso tudo. Contou que outro dia ela havia ligado desesperada com um problema caseiro que só ele saberia lidar como ninguém, como ele estava com tempo e disposição se prestou a passar na casa dela, onde não ia há tempos, pra tentar ajudar, mas só depois de se certificar várias vezes de que o atual marido sabia, que ele não tinha qualquer problema em relação a ele ir ajudá-la e que o clima não ficaria tenso. Ela garantiu que não. Que o outro sabia e não tinha nada contra, mas que se ele se sentisse melhor falando com ele antes de ir, que ligasse e falasse com ele, o que meu amigo fez, meio constrangido, mas achando mais seguro. Sim, o outro parecia um pouco reticente ao celular mas disse que se ela tinha achado que ele (meu amigo) saberia lidar bem com o tal problema, que não seria ele (o marido) a se opor, porque estava mesmo impossibilitado de fazê-lo e a relação deles andava tão sólida que sua presença seria algo natural e bem-vindo....
Ok. Pois lá vai esse meu amigo trouxa (ele que me perdoe se ler) com todo o cuidado, resolver o problema alheio, que ele só se prontificou a enfrentar porque envolvia uma outra pessoa da família dela, de quem ele sempre gostou muito. Vai até a casa dela e pela primeira vez encontra pessoalmente o atual marido de quem tanto ouvira falar, se cumprimentam, conversam formalmente e se despedem. Ela o recebe bem: é toda sorrisos e diz que francamente não tinha se dado conta de como tinha saudades. Ele gosta de ouvir isso, fica lá e resolve o tal problema caseiro que a andava angustiando tanto. Sente-se útil, o tolinho, como adora ser (e ela sabe). Ao sentar-se pra conversar com ela, percebe que ela estranha o fato de o grande assunto em pauta ser o tal problema já resolvido e suas dicas para que ele não se repetisse. Ela arrisca perguntar o que ele achou do atual companheiro. Ele diz que nada especial, que parece ser boa pessoa. Ela pergunta se ele o achou bonito. Ele ri e diz que isso não vem ao caso. Muda de assunto e falam sobre o longo tempo que ficaram sem trocar notícias. No meio da conversa o telefone toca várias vezes: é o outro, desconfiado e querendo marcar presença. Ela se desculpa cada vez que atende e conta como o outro é exageradamente ciumento e que marca sob pressão. Ele comenta a falta de necessidade já que parecem estar tão bem e que ele realmente está ali simplesmente para mostrar que pode ser um bom amigo, como nunca deixou de ser. Ela lembra que quando estiveram juntos ela também ligava assim, insistentemente para ele quando ele estava em locais que ela julgava perigosos e pergunta: "Você também achava exagerado"? Ele desconversa e diz que eram outros tempos. A conversa se prolonga... e já por volta do décimo telefonema do outro ela diz: "Olha... é melhor eu ir lá encontrar com ele senão vai ficar uma fera, pensando o que não deve. Mas você pode ficar, eu não demoro". Ele assustadíssimo de ver que as coisas todas parecem meio "representadas" pelos dois e que aquela longa conversa, até então agradável, pode virar um conflito e ganhar uma versão diferente avisa que não, que não vai ficar, e fala francamente que não gosta muito do astral que está rolando. Que não entende e não gosta. Que se estava à vontade, deixou de estar. Se despede meio secamente e vai embora com aquela sensação esquisita de nunca adivinhar o que passa pela cabeça dela, mas feliz pelo sentimento de "dever cumprido". No dia seguinte, sem receber qualquer telefonema de agradecimento e desconfiando de que talvez para o marido ela possa ter feito um relato diferente, manda um email para um e para outro e ainda tranquiliza o marido em relação à cada vez mais consolidada amizade entre os dois, desvinculada de qualquer coisa que possam ter tido no passado, que ficou tão distante. Dá dicas aos dois de como lidar com o tal problema caseiro que ele foi cuidar, para que ele seja cada vez menos necessário e acredita ter encerrado o assunto da melhor forma.
Uma semana depois, sem receber resposta dos emails, liga pra ela pra saber se o problema foi mesmo resolvido a contento e ter certeza de que ficou tudo bem. Ela se nega a atender e manda dizer que não está. Ele a conhece e sabe. Não é só ingratidão. Mais uma vez ela deve ter criado uma história diferente. Para o marido mesmo e para ela própria, por isso é melhor nem conversar, para mantê-la. Ele escreve uma carta mal-educada, mas desiste de mandar, afinal deve ser o que ela espera. Ele chega ao limite de tentar ser bonzinho e pensa que se o problema voltar, eles que resolvam, sem metê-lo no meio. Vai ser melhor pra todos... principalmente pra ele que aprendeu a fugir de problemas inventados.
E depois disso tudo, eis que chega o email da Pati, revelando a versão aplicada por ela para o marido e amigos, que ele tão bem anteviu e que justifica tudo. "Ela precisa disso. E vai precisar a vida inteira para valorizar o seu passe seja com quem estiver. Não basta ter alguém, mas convencê-lo de há uma fila de apaixonados ciumentos esperando por um sinal dela" - escreve a amiga que não se convenceu com o que ouviu.
Sim. Agora entendi tudinho. A repetição das atitudes dela finalmente fez com que ele a visse como ela é. Por isso ele acha graça.
O que me consola é ver que hoje em vez de se decepcionar e ficar inconformado, ele ri. A previsibilidade dos vícios de cada um, substitui o susto pela piada!

Postado por CoRa em 02:08 PM | Comentários (28)

fevereiro 07, 2005

outros carnavais...

pro meu corpo ficar odara como a minha cara!

o corpo solto dança
cabeça quente amansa
coração desacelera e entra no compasso
relaxa as defesas, reabre o abraço
deixa pra lá a mesquinhez
que cerra o punho dos fracos
joga serpentina sobre as bobagens
estoura a rolha com classe
comemora ao som do seu samba
cujo enredo é a verdade
é isso que a faz ser tão bamba
é o que a faz merecer a alegria
desse momento leve de folia
que quem só articula não vive
desfila o seu sorriso franco
e deixa pra trás quem espera cortejo
dá de ombros faz seu próprio bloco
e no seu rastro, purpurina
da fantasia que virou desejo
que virou poesia, que ela foi viver
em vez de fotografar...

Postado por CoRa em 10:14 PM | Comentários (4)

fevereiro 01, 2005

Feverê...

rosadesk.jpg

Um fevereiro - ainda úmido de tanta chuva
caída em janeiro - se instaura...
Vem aí Carnaval, etecétera e tal
e o ano começando pra valer
depois da folia, da fantasia,
do ensaio de dia-a-dia...
Tenho minhas inquietações,
problemas na família - como todos
problemas financeiros - como a maioria
Mas aprendo a lidar com eles
com mais brandura e calma
Plantei certezas, carinhos, sinceridade
Podei as árvores da minha vida
para que cresçam mais saudáveis.
Cuidei das flores, dos animais,
aprendi com as crianças,
enxuguei algumas lágrimas,
vi o mesmo filme pela enésima vez
e percebi o quanto a emoção mudou.
O que poderia colher agora?
Senão o troco justo por ter sempre
agido honestamente, como o CoRação mandou?
Sinto-me pronta e aberta
como um mar que brinda turistas
com uma inesperada aparição de golfinhos.
Sinto-me liberta das meias-verdades
que antes me confundiam
Minha visão de raio X se aprimorou
Joio e trigo se revelam ao primeiro olhar
Quero a plenitude do equilíbrio
que chega seguro de si por saber que a vida
não é isto ou aquilo mas um todo
que deve co-existir de forma hamoniosa
Será a maturidade chegando? rs...
Também. Mas junto a ela o mesmo desejo
infantil de brincar na areia, de fazer castelos
De voar e manter os pés no chão,
quando preciso.
De abrir mão do meu tempo
pra fazer alguém feliz por um segundo
De abraçar o mundo e me sentir abraçada.
Um sorriso de criança me inspira
um sorriso largo de quem merece ser feliz...!

frieze.gif

Nesta minha volta aos escritos e amigos de blog,
não poderia deixar quieto um convite à boa leitura!
A fantástica Meg Guimarães do Sub-Rosa
também está de volta em endereço provisório, depois
de alguns problemas técnicos com o provedor.
Não deixem de visitá-la aqueles que não lêem apenas
por ler, mas pra serem acrescidos à cada nova leitura.
Citações, versos, linhas e entrelinhas são sempre
enriquecedores no espaço que ela comanda. Visitem
o "velho-novo" Sub Rosa e deixem-se surrpreender.


Postado por CoRa em 12:09 PM | Comentários (8)


voltar ao blog