junho 12, 2005
enamorar-se...
Foi engraçado. Com toda essa propaganda que se faz do dia dos namorados, os mais carentes, os solitários, os ímpares que se queriam pares, muitas vezes se agitam e fazem de tudo pra não passar o dia em brancas nuvens... pra se sentirem amados, amparados, com alguém pra cuidar, com alguém pra desfilar, pra mostrar aos amigos, ou simplesmente dizer: você é meu... Pois foi num desses impulsos (creio eu) que um serzinho muito querido, me perguntou: "Ei, você não quer namorar comigo? Mesmo que só por um dia... tipo "se-não-gostar-devolve"? rsrsrs... Achei simpático, bonitinho, lisonjeiro e tudo mais... mas disse "NÃO". E enchi a boca pra dizer, porque, apesar de não estar com alguém, eu me sinto ótima! Não preciso da sensação de ESTAR namorando, pra saber como é bom namorar. E hoje, em pleno dia da comemoração comercial da data, passo muito bem estando só, e ao mesmo tempo muito bem acompanhada. E pode parar... Continuo a mesma romântica. Sei que essa coisa de "se bastar" é bobagem. O ser humano foi feito pra viver junto, pra CONviver e crescer a partir das relações. Mais cedo do que eu mesma possa prever, estarei com alguém... Mas é tão difícil a gente ter momentos assim de estar bem consigo mesma, equilibrada, centrada, focada naquilo que quer pra si... Que não é uma bela cantada, um presente, um carinho, que me tira do prumo não. Paixão cairia bem. Mas só se fosse pra somar e não pra diminuir em nada essa sensação gostosa que estou sentindo.
Sabe o que é? Estou gostando demais de mim. E isso é bom. Venho de um mar de relações que se sucederam sem trégua, sem tempo para que eu parasse e percebesse como me sinto estando só, quem sou eu de verdade... Me deixei levar pelas conquistas, pelas seduções ininterruptas e me escondi de mim... Acho que desde os 20 anos, nunca parei de namorar... ou "ficar" com alguém... talvez eu tenha passado um único "Dia dos Namorados" sem namorado... E mesmo assim, curiosamente, eu estava namorando e fui deixada sem explicação nem pista do "abandonante" que sumiu, na véspera do dia, deixando um bilhetinho provocador dizendo estar me castigando por eu não "saber amá-lo" como ele queria. E o engraçado é que nunca me senti precisando estar com alguém mas eles vinham, me ganhavam, e eu talvez me enganasse que essa era uma sensação deliciosa: a de nunca estar só. Ano passado ainda, estive com um namorado "tudo-di-bom", fomos e voltamos várias vezes... acho que nunca realmente resolvemos o que é que nos atrai tanto e nos separa também. É certo que nos amamos. Mas de que jeito? Acho que até hoje não sabemos ao certo. Por isso mesmo, sem respostas, preferimos nos auto-conhecer e não poderíamos fazer isso juntos. Já tentamos e não deu certo. Acho que separados (e nem por isso distantes) temos mais chances de descobrir. Pra falar a verdade, só lembrei hoje que o tal dia "oficial" tinha chegado porque meu pai deu um beijo na minha mãe e disse: "puxa! nosso namoro está durando, hein?" rsrsrs Está mesmo. Já dura mais de 52 anos. Coisa rara hoje em dia. Mas não impossível. Acreditem, namorandos, enamorados, não-namorantes... o importante é amar. Saber amar. A si mesmo e ao outro. Pra saber receber amor, é preciso estar bem, inteiro e pronto para trocar... Se o momento certo não chegou, não se apresse. Nossa "batata" - no melhor sentido - está assando! E quando estiver pronta.... hmmmm... prepare-se para o banquete! ;o)
junho 06, 2005
noites que inspiram...

Veja bem...
Não é sempre que a conversa vira verso. Não é sempre que se encontra tanta harmonia, entre cabeças e idades diversas. Por isso mesmo, depois de uma noite encantadora, regada à música de palco e de canto de sala, de tons maiores e bemóis, de sons buscando letras, de palavras que cantam sozinhas, de famíla, de amigos, de piano e violão, de molhos variados para um mesmo delicioso macarrão... Mas acima de tudo, de idéias claras jorrando, com cachorros e gatos se divertindo, enquanto cobras e lagartos eram soltos no ar com muita clareza, sem papas na língua e com sinceridade... Acordei assim, depois de um sonho bom, que foi realidade, e rabisquei um registro sem métrica, nem tanta poesia, mas embriagado de melodia, em homenagem a um certo Zé, pai de uma certa Bárbara, irmã de um certo Tonico, filho de uma certa Júlia, amiga de uma certa Cláudia, musa de um incerto Bocatio, que encheram minha noite de Luz...
e o rascunho saiu assim:
Autenticidade Sim, please, Cidade: vício Não
Me peguei pensando coisas tão óbvias
que há algum tempo diria com ar de doutor
mas as palavras vieram tão simples da alma
sem a arrogância tôla de ser professor
Deu vergonha das tramas que já inventei
pra ter razão em tudo e me fazer valer
porque a verdade nua e crua vem mais linda e fácil
estava bem na minha cara e eu não querendo ver
O ritual do vício, mais que o vício em si
é o que nos leva tanto a nos deixar levar
por mais encanto que ainda encontre na complicação
o que me salva é a SIMplicidade do redondo NÃO
E não é nada triste perceber, sem dor
que a vida se repete, sim senhor
que o diferente está no jeito de sentir
a mesma coisa que eu passei e você vai passar
Por isso louças raras, roupas caras, artificiais
perdem tão rápido o valor, porque somos mortais
e sobra só a marca única do nosso amor
que até desbota, fica velho, mas não perde a cor.
Postado por CoRa em 02:00 PM
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