outubro 28, 2007
desconselhos
"É que dá mesmo um medo danado de que acabe o que é tão bonito e passe a ser banal..." (de Nanda Stange)
"Deixar banalidades da véspera pra trás e começar o dia com o tal brilhozinho nos olhos, o tal sorriso idiota de quem ama e se sente amada ... não tem preço isso ... e não cansa não, renova a vontade, a intenção ... inspira, dá forças ... " (de Maria de Lurdes Barbosa)
Se a vida fosse tão simples quanto um desenho colorido eu vivia lá, na ponta do arco-íris, brincando com duendes e fadas. Sonhando sem ser acordada. Acordando com um suspiro e um espreguiçar de gato... Mas ela é complicada e, pasmem, eu acordo igual... ;) (de CoRa)
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outubro 18, 2007
Perda, pra que te quero...
Meu pai se recupera bem e se Deus quiser, em um mês, já volta às quadras de tênis. Valeu mesmo receber tantos mimos e carinhos de quem se importou.
Hoje comecei um programa diário de caminhada pra arejar a mente e cuidar um pouco deste corpinho tão sedentário. O Exercício foi bom. Hora e meia de passadas calmas, respiração sentida e boa companhia. Faltou só uma coisa. Música.
Triste ... foi saber de um casal de amigos meus muito queridos que se separou depois de dois anos de uma das uniões mais belas que já vi. Não por falta de amor, nem por ser ele espanhol e ela porto-riquenha, mas porque ela não foi aceita pelo mundo dele: amigos, família, filhos do casamento anterior... Ele até tentou o máximo que pode pra fazê-los recebê-la bem, mas com raríssimas excessões, só colheu críticas, preconceito e afastamentos... Sentiu-se mal por ela... mas por ele também. Porque é duro viver um amor quase perfeito sob olhares de desconfiança e pressões contrárias. Ela levou um susto com a decisão que ele tomou de deixá-la porque entendeu que os filhos precisam mais dele pra serem felizes, do que ela. Mas resignou-se porque percebeu que nada podia contra um muro que, sozinha, ela não conseguiria nunca escalar. Ficam agora os dois, cada um em seu canto cabisbaixos, ainda se amando, desejando-se em silêncio e sem contar com os melhores amigos pra chorar no ombro já que eram, eles próprios, os melhores e mais fiáveis amigos um do outro. O amor, sozinho, nada pode, a não ser que dois que o sentem intenso, tenham forças para levá-lo adiante, e mais além.
Mas se é que a poesia pode algo, além de soar mais doce que a prosa...
que ela fale por nós, incorrigíveis apaixonados...
Quero-te
por inteiro.
Começo, meio, fim.
O enredo
a briga
o abraço
o consôlo.
Quero-te urgente
como quero a vida e o ar
como o grito que cala
dentro de mim.
E querendo-te
assim
tanto...
Não te posso
Não te caibo
Não te devo acudir
caso caias
caso te firas
caso desistas de ir.
O raio é te querer tanto
que me deixaria num canto
a cuidar de ti...
e sabendo-te, como sei,
curar-te-ia as dores
aplacaria teu chôro
dar-te-ia os dardos...
e seria, eu, o alvo
a parva. a que fica
e que chora, em vão.
Se te dói não ter mais o meu colo
Ele mais ainda sofre
por não poder escancancarar-se
na tua direção
Dói-me ele e dói-me tudo
muito além do que tens noção.
Mas a minha dor é minha
e sozinha.
Não tem eco
Não tem colo
não tem nada.
Tem lembranças
Tem história
e pela frente...
só estrada."
RFM
Postado por CoRa em 01:44 PM
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outubro 13, 2007
Descobrir-se
Eros e Psique
(Fernando Pessoa)
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Postado por CoRa em 10:25 PM
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outubro 07, 2007
Pai

Eu pediria aos amigos que entrem que, se tiverem um minuto, orem, rezem ou mandem bons fluidos para o homem da minha vida: meu pai. Não é nada de grave, mas é delicado, e como com o coração não se brinca, peço a força de cada bom pensamento que possamos receber nesta segunda-feira. Obrigada :)
Postado por CoRa em 08:12 PM
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outubro 03, 2007
Indignada...
Tristeza, pra mim, às vezes é não ser digna...
Digna de crédito mesmo tendo creditado tanta confiança
Digna de apoio depois de ter sido só ombros e ouvidos abertos
Digna de consideração, após ter suportado coisas que poucos suportariam
Digna de colo ainda que tenha sempre sabido se fazer presente
Digna de respeito, por ter sempre sabido respeitar o momento alheio
Digna de carinho, quando nunca sonegou um momento de atenção pedido
Digna de palavras doces, mesmo tendo dito as mais melosas de coração
Digna de interesse, após tantas vezes ter brigado pelos alheios
....
mas sobretudo...
Digna de cumplicidade, depois de ter-se entregue de corpo e alma...
Se bem que triste mesmo é ser apenas
digna de razão (o que é que a gente ganha com ela?)
digna de orgulho
digna de sinceros melhores cumprimentos de quem já o tratou por tu
digna de um lugarzinho especial no coração (e outro no baú)
e, sobretudo,
digna de pena...
Deus permita que um dia, sejamos dignos das coisas certas
pra sermos felizes e bobos, mesmo sem grandes motivos pra isso.
Postado por CoRa em 02:20 PM
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